o seu olhar melhora o meu...

(Arnaldo Antunes)



não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos.

(Anais Nin)

12 de set de 2012

parque



nesse clima meio cinematográfico, demora-se o olhar e demorei-me eu, andando pelos deques especialmente colocados para que o visitante do parque tenha uma espécie de experiência sensorial: o bosque ali plantado convive com os pilares de concreto remanescentes das celas do antigo presídio do Carandiru. Em alguns pontos, como no local onde está o homem em pé, ainda há o piso e partes das paredes divisórias das celas. O parque é imenso e em nada lembra o lugar sinistro que lhe concedeu espaço... apenas este recanto, o meu preferido, foi dedicado a preservar a história de dias violentos e existências perturbadas. Há uma vaga sensação, neutralizada pelas árvores, pelo sol, pela terra úmida... de que se caminha profanamente sobre memórias.

* Parque da Juventude/Carandiru/SP.




Um comentário:

Elizabeth disse...

Só de ouvir falar de presídios, manicômios, senzalas, internatos, UTIs, colônias de férias, Quartéis e afins meu coração descompassa fortemente. Não consigo entender humanos confinados, passarinhos em gaiolas e bichos em zôos. Um preço muito alto para indivíduos e coletivos. somos todos cúmplices das grades que exibem mortos-vivos. Tem um cheiro, uma viscosidade, um lamento inaudível de fundo... prefiro morrer dignamente.